Um Barquinho na Enseada
Era tarde quando ela saiu do expediente. Vida de quem trabalha em hotel é frenética, ou se faz tudo que tem para fazer antes do expediente, ou depois, dependendo do seu horário. Ela era do turno da tarde/noite e saía muito tarde. Namorar não estava nos planos, mas ela tinha um paquera, até bem bonito, que ela apelidou de "aquaman". Era um caiçara dourado de olhos cor de mar em fim de tarde de outono. Acredito que ela era mais atraída por ele que ele por ela. No entanto, quem a procurava era ele. Ela ia, mais por tédio que por tesão. Já foi-se o tempo das grandes paixões. Era mulher madura em corpo e coração jovem. Já tinha nascido velha, sabia disso. Saiu do hotel e foi encontrar o moço de olhos d'água. Ele foi ao seu encontro de barco. Nessa noite em específico, os plânctons estavam em festa, e cada remada era mágica na água noturna. Ele estava com sono, ela estava sem. Acredito que o leitor esperava por uma romântica e ardente noite. Ela também, mas não foi o caso. Era ...